Um novo começo
Leiden 24 de Julho de 2015 , escrever a data de um texto ou uma carta nunca foi algo especial para mim mais hoje os dias, horas, minutos, anos, tem um efeito sobre minha existência como nunca. Não, eu não estou morrendo de uma forma trágica, simplesmente me tornei mãe.
Agora são 14.48 min, acabei de me sentar atras do meu computador depois de uma manha de muito buscar e arrumar coisas. Fui a farmácia, buscar leite para Julius por que ele não pode tomar leite normal(alergia). Passei pra ver se encontrava alguma promocao de roupas de inverno, mesmo por que aqui ja começa a fazer quase frio e o verão acabou de começar. Prendi minhas galinhas que escaparam, fiz a comida, rezei um mantra de boas maneiras para que o pequeno comece. Logo depois me senti estupida , falei com minha mãe no skype e lhe contei coisas triviais que aliviam a solidão feminina.
Agora sento para escrever esse texto que quero usar para abrir uma serie de fotografias que conta minha pequena trajetória de mãe, mulher, imigrante.
Não sei se o que vou contar pode ser interessante para alguém mais a verdade e que sinto uma necessidade incrível de falar dessa transformação que ocorreu comigo e que ocorre com todas as mulheres Maes por milhões de anos, e que na minha maneira de ver hoje apesar do factor natural, acaba se tornando um evento estranho e muitas vezes pouco aceito por muitos.
Pausa “deixaram um pacote dos correios na porta era uma lista telefônica , não sabia que isso ainda existia, o que acho interessante e que essa lista telefônica e bem menos volumosa que a anterior que ainda esta no mesmo lugar de faz anos que nunca usei”, os tempos são verdadeiramente outros.
Quando decidi junto com meu parceiro da época( nos separamos fazem 6 meses) ter um filho, estava num momento crucial, estava terminando meus estudos na ACADEMIA ROYAL DE ARTE ( DEN HAAG - HOLANDA). Estava muito orgulhosa de mim mesma tinha vencido tantos obstáculos que so poderia ter um resultado, êxito.
Logo que dei a noticia da minha gravidez ao meu parceiro senti que estaria sozinha naquela aventura mais não quiz dar ouvidos para aquela parte que fala e que atormenta dentro de voce, e no final da historia entre lagrimas e ranger de dentes, voce diz a si mesma eu deveria ter escutado a minha voz interior, rssss.
A verdade e que não escutei, cultivei a esperança que uma criança tudo mudaria e que nos tinhamos tudo em comum para podermos transformar aquela situação, para minha tristeza descobri duas verdades. Sim uma criança muda as situações e isso exige que voce amadureça para entende-las e desenvolve-las e a outra verdade, bom isso ja estava evidente aquele amor não ia sobreviver de uma unica Fe, a minha.
MInha fe morreu, o pai do meu filho partiu e nos deixou sem nada, so com muito que resolver, era interessante de ver como apesar de toda tristeza que tinha, alguma coisa renasceu dentro de mim, acredito que foi Fe também, passei a ter Fe em mim. Logo depois de muitas conversas monologas, com aquela mae cansada e cheia de raiva, acabei descobrindo que era tempo de começar a mudar as coisas. Um dia me olhando no espelho isso era precisamente 49 dias antes de completar 40 anos, vi uma mulher deixada em todos os aspectos, gorda, cabelos compridos, olheiras, olhar ríspido,unhas quebradas, nem parecia aquela pessoa que tinha atravessado os ares de um continente para outro para tentar descobrir mais sobre si mesma. Tinha perdido o interesse em mim mesma. Como alguém iria se interessar por mim se eu mesma não tinha nenhum interesse naquela mulher? Nesse dia vi muitas janelas se abrirem. Vi minha casa precisando de mim, minhas plantas, meu jardim que tanto amo, meus poucos amigos que não chamava mais, meu filho era o único que bem cuidado estava lhe dava o resto da minha vida e alegria interior. Me senti a pessoa mais sortuda do mundo por que descobri que poderia transformar a mim mesma e aquilo tudo, mesmo me sentindo a ultima das mulheres.Assim começa a minha nova aventura que contarei com muitos flashbacks e espero que este espaço sirva para encontrar muitas de vocês por todos os cantos do mundo e amenizar nossa solidão materna.


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