A poesia da tristeza feminina.
Estou escutando Simone Mazzer enquanto um pedaço de chocolate quase amargo derrete na minha boca, suprindo minha carência e aumentando minhas curvas.
Porra!!!
Minha casa esta quieta, meu filho ainda não chegou carregado por seu pai dormido e com os cabelos perfumados de um banho de domingo.
Um boa noite seco, um adeus apressado e os passos na escada que não respeitam nosso silencio, a porta se fecha atras daquelas costas que um dia amei tanto.
Ate sexta-feira, boa semana, boa viagem.
Tudo como se fosse um relógio com um ritmo indesejado que faz brotar a chatice das estruturas que não querem mudar.
Minhas unhas azuis Cadillac fazem muito contraste com meu teclado metido de um branco a la Steve Jobs, distraindo meus pensamentos.
Preciso de mais chocolate. Valei me minha santa Mazzer!!!
Hoje tomei cafe com leite de soja mais uma vez num boteco metido a besta com nome de gente, la vi um cara que jurei que poderia ser eu , isso me assustou, peguei minhas coisas e fui embora engolindo aquele cafe com leite de mentira como se fosse um elixir para me fazer esquecer que minha solidão começa a me incomodar.
Senti saudades de Porgy mas engoli isso com o cafe e estou quase terminando meu dia e me prometendo não pensar nele. Porgy e chocolate são a mesma coisa, quanto mais voce não quer pensar mais voce pensa e mais voce quer, se voce pudesse ve-lo ,seu sorriso misturando tudo voce daria razão aos meus pensamentos, mesma que eu mesma não de.
Li num jornal do governo que os caras do mal na Siria tao matando maes e filhos.
Não aguento mais as violências desmedidas provocadas nesse mundo.
Porra!!! As vezes so queria esquecer.
E amanha e so segunda-feira e eu chamando tantas guerras mesmo sabendo que não vou poder vencer todas.
Essa semana meu filho me perguntou se quando as folhas caem elas sentem dor. Cara!!!! Chorei.
Ele me perguntou se eu tinha algum “ au” e lhe disse que não, e ele me respondeu que achava que sim, as folhas sentiam dor. Fizemos silencio na bicicleta observando as folhas ate chegarmos em casa, um silencio de respeito as dores causadas pelo outono e um vento sem piedade que não perdoa folha nenhuma.
Mazzer canta Babalu. Essa mulher me emociona!!!
Ja sao 20.11 min meu filho ja esta quase aqui, daqui a cinco minutos vou viver minha cena semanal repetida como se fosse um replay. Algumas pessoas tem o dom de ser replay na vida de outras.
Preciso de uma outra cena, uma nova armadura, novas cores, novas caras . Preciso do novo, que faz coisas reais brotar e crescer.
Minha mãe me fazia vestidos novos para que eu usar em datas distintas, eu odiava esperar. No final odiava os vestidos, hoje uso calcas, atitude de um trauma estupido, acabei sendo a menina de calcas.
Saudades da minha mãe.
Amanha vou plantar alhos e fazer bolo de chocolate “Petit Gateau”, enquanto termino meu cv em inglês para pedir uma residência na Franca.
Bacana.



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