Ser ou não ser , não e uma questão . Não ser, e a liberdade
Quando eu era so uma menina que via filmes com minha mãe a noite, eu sonhava em ser “Kate Marony”, uma policial norte americana com os cabelos vermelhos, cheia de energia e que nunca tomava um tiro.
Sonhei em ser atriz, cantora , juíza e vamos parar por aqui que a lista e longa, na verdade passei a vida inteira , tentando e sendo coisas, pessoas, personagens que me foram exigidas ou que eu mesma me exigi.
Hoje, depois de 43 anos ,como se alguma coisa estranha tomasse conta do meu “ser”, uma ideia anarquista mas quem sabe a grande resposta para todas essas tentativas de ser.
Engraçado depois de conquistar diplomas, falar línguas, viajar , dois casamentos, um filho e vamos mais uma vez parar por aqui por que a lista e longa.
Logo depois de tudo isso acredito que ser ,não e uma coisa que se aprende de fora para dentro aprendendo coisas do mundo, ser e não ser nada , não buscar títulos nem diplomas e ter a liberdade de ter preguiça, de não querer, de ser uma coisa todo dia e rir de cada uma delas.
Ser e uma necessidade econômica, ter que ser tira a paz de cada um, tira o sorriso do rosto, tira as horas de tonteira, tira o riso sem compromisso.
Ja nascemos com uma lista de papeis a serem representados, filho/a, homen, mulher e vamos parar por aqui que essa lista também e muito longa.
O que somos depois de todas essas tentativas guiadas por factores externos?
Nos nos tornamos essas coisas todas por que queremos?
Isso nos faz feliz ?
Como seria tomar suas próprias decisoes sem ter que usar agendas diárias, onde nas entrelinhas estão sempre preenchidas com a palavra, medo.
Toda essa angustia de ser se transforma em medos econômicos e sociais, tudo que criamos que chamamos estrutura social nos da essa segurança de mentira, que no final entendemos que so era medo.
Fazem duas semanas que meu corpo se cobriu de uma alergia feroz me fazendo pensar em muitas coisas que nunca havia me questionado, pensar que uma pessoa existe para mas a la que a primeira cortina, conhecer alguém exige na verdade muita coragem, tanta coragem como a coragem de tentar conhecer a si mesmo.
Ser humano não e somente ser bom, para mim esse ser bom dos dias actuais e uma grande mentira, as ações são todas direcionadas em beneficio próprio, todos querem aparecer.
Ser bom seria poder admitir que muitas vezes ou quem sabe todas as vezes quando estamos sendo “bons”, e que necessitamos daquela ação para nos mesmos, queremos ser vistos ou queremos nos sentir melhor.
Qual e o mal nisso?
Tentar descer desse pedestal de super pessoa pode ser pelo menos para mim o principio de um novo caminho, admitir nossa humanidade que muitas vezes vem repleta de coisas que chamamos feias mas que na verdade e so uma parte de nos.
Acredito que rever conceitos do “ser” e muito importante num período da nossa existência digamos e muito importante para mim nesse momento rever essa ideia, pensar nisso me faz ver a vida de uma forma mais ampla e muito mais humana uma vida onde me permitido “não ser”.
Meu filho esta de ferias com seu pai ja faz alguns dias e me sinto muito feliz de poder “não ser “ a mãe “judia” e poder ser essa mulher cheia de alergias que vai a classes de yoga e pensa em coisas anárquicas, essa mulher que quer deixar de ter que ser.
Eu sou.
Ik ben.
I am.
Je suis
Yo soy.
Eu nao sou.
Ik ben niet.
I am not.
Je ne suis pas.
Yo no soy.


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