# ELE NAO # Antes que me esqueça

E sábado , ja são dez horas da noite, dei corda no relógio velho e agora ele  faz uma sinfonia constante com seu tic tac clássico e elegante, como minha amiga alemã, que me deu ele antes de fugir desse pais cinza.
O frio ja chegou por aqui depois de um atraso assustador  e por mais impossível que  pareça me faz bem que finalmente esta frio como deveria estar, como meu corpo, meu cérebro e meu espirito estão acostumados , frio.
Hoje acordei as 11 horas da manha sem intervalos e chamei uma amiga que não me
cinco anos atras 
respondeu, não sei por que, pode ser que seja sua falta de consciência crista.
Meu cafe da manha foi um pão com sementes comprado na padaria árabe do meu vizinho, quando fui comprar na padaria as 11.30  tinha um senhor branco comendo uma daquelas iguarias árabes cheias de carne e queijo, ele usava uns óculos interessantes e um casaco de outono não muito quente, tinha uma barriga farta e uns cabelos com caracóis ja bem grisalhos,estava sentado na mesa da padaria num daqueles bancos altos e suas pernas estavam penduradas tentando alcançar o chão,   parecia estar no lugar errado ,e pensei ,o que alguém como ele estava fazendo na padaria árabe do meu vizinho, enquanto ele comia com um prazer visível aquele pedaço gorduroso e cheio de delicias paguei meu pão e sai pela porta enfrentando o vento forte e pensando o que tinha mais na geladeira para fazer aquilo parecer um cafe da manha.
Não sabia em como começar meu sábado, depois de dormir tanto so queria dormir mais e não me interessava nenhum pouco a vida ali fora com aquela chuva fina e aquele vento forte e cortante, comecei limpando a sala e tirando o po do piano, depois de fazer um desenho de uma cara masculina em duas cores.
Acredito que os sábados e para nos sentirmos perdidos e sem saber o que fazer, e muito difícil saber o que fazer quando não se ha urgências ou pessoas que dependem de você para viver como seu filho de cinco anos.
Então nesses sábados, de chuva quando acordamos as 11 horas e vamos a padaria comprar pão e vemos um homen estranho comendo e como se estivéssemos perdidos sem nenhum comando para saber que direção tomar.
Acredito que o homen da padaria era um viajante do tempo que so parou para tomar seu cafe da manha.
Hoje as pessoas vão ao mercado e quando ia pelas ruas muitas carregavam flores para casa, acredito que quando esfria, quando os dias ficam curtos as pessoas sentem necessidades das flores como um elemento que traz algum tipo de alegria, e uma busca externa para suprir a falta de sol e de outras coisas que não conseguem encontrar dentro de si.   
Eu também comprei flores, poucas com tons amarelos, o mercado estava quase no fim e as pessoas apressadas iam para casa fugindo do frio,  aos poucos desmontavam tudo e eu fazia a “Chepa” da flor .
Depois que me tornei mãe nunca mais fiz exageros, como tomar um porre ou dançar ate de madrugada, era como se minha consciência biológica me avisasse o tempo todo que eu ia precisar daquela energia para cuidar da cria, ainda quando você cuida da cria sozinha essa consciência fala tão alto que não sobra espaço para duvida nenhuma. Assim que hoje não escutando essa consciência mesmo por que meu filho esta na casa do pai ate segunda-feira, decidi fazer uma maratona de coisas que gosto como assistir filmes que quero sempre e nunca me dou tempo.
Tenho descoberto coisas novas e tenho uma nova amiga que tem me devolvido o poder da imaginação.
A vida apesar de ser estranha aqui nessas terras distantes se mostra generosa e me abre portas, algumas portas estão me pedindo responsabilidades assustadoras as quais não devo deixa-las e outras simplesmente me mostram que viver e intenso e não ha uma outra maneira de ser.
E assim sigo por aqui vivendo a cada dia a intensidade de ser,  mesmo que a margem dessa sociedade de exclusões que teima em tentar me dizer que eu não sou daqui.
Antes que me esqueça: “ POR FAVOR  # ELE NAO#  , mesmo por que ainda sigo sonhando em voltar pra casa.
  

                 

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