Céu de serraia  (serralha) … A Mariana me mandou uma foto de outra encarnação.



Não sei o que dizer, e meu segundo vinho, estou escutando Caetano e seus filhos e fazendo uma sopa de feijão com legumes.
La fora o céu se prepara para chover, as nuvens vão se aproximando umas das outras sem nenhuma vergonha, o vento esta gentil como uma caricia deve ser um bom vento, mesmo por que existem ventos que não são bons.
A luz desapareceu completamente, minha cabeça esta cheia de lembranças como se eu ja tivesse cem anos, as vezes acho que vivi coisas demais para minha idade e como se me perguntasse : E agora?
Mas tudo bem, não vou me preocupar com esta pergunta, mesmo por que a vida não vai me deixar esperar muito por esta resposta.
Meu jardim esta bonito, parece comigo, acho que ele e meu subconsciente, todo ano ele muda de cara, hoje trabalhei duro nele, cobri as folhas mortas com terra  para elas virarem adubo, então quando olho ele de cima parece calmo e limpo como se nada estivesse acontecendo mas na verdade por debaixo daquela terra esta todo um processo de mudança em andamento.
Ontem me lembrei da luz de serraia,  vou explicar: Na verdade o nome e Seralha mas minha mãe dizia serraia  e uma planta que comíamos de salada na época que era uma menina com pe descalço na sul do mundo, parece que  posso escutar minha mãe chamando “ Meninos vão busca a serraia   para janta”, então nos íamos felizes, por que éramos felizes.
O céu nesses dias de serraia era lindo, umas nuvens da tarde, coloridas de uma luz avermelhada todas juntas num canto como se alguém as colocasse ali, era tão lindo e tão diferente que dava medo de olhar  e ontem aqui no norte do mundo do outro lado dessa historia fazia céu de serraia . Ainda andando rápido para não me atrasar chamei meu irmão e lhe deixei uma mensagem que aqui fazia céu de serraia, espero que ele se lembre também.
Meu telefone calado ali em cima de alguma coisa começou me avisar que alguém estava tentando fazer contacto.
Parecia coisa de centro espirita, quando abri a mensagem uma foto minha de muitos anos atras mais muitos mesmo, com uma amiga maravilhosa que me fazia lembrar da inocência daqueles dias, dos olhos brilhando sem saber de dores conhecidas hoje.
Aquilo foi como uma porta aberta para outra dimensão onde havia esquecido como era bom me sentir daquela forma, livre, so com o compromisso de descobrir, um sentimento perfeito para aquela idade tão ingênua, tão tola e tão linda. Nas nossas expressoes quase infantil podia ver a disposição de quem queria viver .  A foto me encheu de alegria me fazendo relembrar e me sentir como naqueles dias que nada mais importava que o momento, sabíamos rir sem medo do que viesse depois.
Hoje tantas vidas passadas vejo essa foto e com uma alegria infinita meu coração se lembra que aquela logo ali no papel com cara de menina também sou eu e que apesar de agora ser so uma lembrança ela vive dentro de mim segura e orgulhosa de onde chegamos.
Sim minha querida Mari, chegamos ate aqui cada uma de nos com sua bagagem com suas cicatrizes mas ainda hoje quando nos falamos mesmo que fisicamente tão distantes podemos nos encontrar uma na outra e tudo que e lembrança acorda, tenho certeza que se fizéssemos uma nova foto poderíamos ainda encontrar nos nossos olhos de hoje as meninas que estavam ali sonhando com muitas aventuras diante de um mundo desconhecido, que esta justamente aqui.
Um abraço Mari e obrigada por me mostrar quem eu ainda sou, a menina de pe descalço que ia buscar “serraia” na roca para mãe fazer a salada, a jovem mulher com a camera na mão viajando junto com os índios no caminhão, e aquela menina alegre que sempre riu das suas representações. E estamos aqui, chegamos ate aqui mas ainda existe muita historia para escrever , dorme bem minha querida Mari e que as cicatrizes que ganhamos no caminho so nos façam mas lindas  do que somos.         
  
  
     
    


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