Retrato - 27.12.2022
Tão cheio e tão vazio,tão alegre tão triste, tão longe e tão perto, sem sentido e sem rumo.
Quantas luzes que banham ideias dissolvidas num espaço sem limites, sem fundo, sem tampa.
Sentimentos esquecidos na gaveta, no lixo,na panela do arroz na roupa sem lavar no desanimo da tarde.
Natal, Ano novo, tudo novo ou talvez não, vestindo e me despindo do passado sem sentido, vago, apagado em tanta correria.
Pagar as contas, pagar a luz, pagar o gás, quanto pagar, quanto a provar a todos das muitas capacidades daquele corpo feminino, sem traços de elegância.
Pesado, triste, desgraçado, abandonado no relento para morrer a mingua so, sem ninguém, sem você, sem ele, sem cachorro que fugiu quando a porta com o vento destrancou deixando as folhas de um outono qualquer entrar.
Mas ainda a garganta seca e o coração batendo toda vez que sua imagem emoldurada de perfeição visita minha mente num momento de descuido.
Magia sem significado, em endereço, sem solução, repulsa pela abstinência desse desentender do pulsar do seu ser no meu.
Sem graça, diluída em você, desesperada querendo fugir antes de me aprisionar, nua, linda, sem destino sangrando por todos os lados, se sentindo viva a beira da morte, com a boca aberta procurando por ar.
O espaço entre você e eu e o silencio que nos acalma, as coisas jogadas na sala sem preocupações, a falta de pressa minha mão na sua e um calor estranho que me faz dormir.
Eu - 28.12.2022
Sua mãe, sua filha, sua irmã, sua ex, sua vizinha, sua amiga, sua talvez inimiga, sua lembrança…
Todas esses meus eus, deleixados em historias diversas se transformando ao longo desses anos e experiências.
Tão volátil, liquida, insolida, desmembrada, como uma estranha criatura perdida em tantos detalhes, um detalhe de um trabalho feito a mão.
Uma bolha de sabão, chuva de ontem que ainda cai, vento nos bambus, trem que sem avisar passa cortando o espaço e o tempo, cabelos escondidos na Hena, agua de banho descendo pelas pernas in direção da eternidade, o barulho de escovar os dentes as 23 horas e 7 minutos,o cheiro das unhas pintadas, a barriga inchada de um ciclo que ainda tem que chegar, o medo da mudança que bate na porta as 8.15 da manha de daqui ha 15 anos.
O sorriso do filho, o olhar do estranho, a roupa na maquina, os pássaros no jardim, o cara que entrega as cartas num dia de chuva, a mulher que fala de seus medos no cafe chic, os livros na estante,Gilberto Gil no vinil cantando tão longe de casa, Eu …

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