Silencio
A casa, dorme, mais uma vez, as moscas devem estar escondida desse vento frio que decidiu voltar do nada e espantar o calor bruto, e sensual que nos fazia transpirar pelo prazer da presença da luz.
A chinesa inquilina vai partir daqui ha dois dias, sentirei sua falta mas meu banheiro perdera os cabelos e minha cozinha ficara sem aquele odor forte de óleo, que se pendurava por todos os cantos.
Yasmin Levy canta “ Gracias a la vida” e eu penso que amanha e segunda-feira , a voz chorosa da Levy me doe por dentro e me lembro do por do sol de hoje, tranquilo devagar enquanto o barulho do transito me invadia os ouvidos.
Meu Sao Jorge pendurado debaixo da Maria com menino Jesus continua matando o dragão e penso que essa semana sera como a passada cheia de muitas lutas.
Hoje alguém em falou do silencio e não pude esquecer as palavras que silenciosas não deixam minha cabeça, o silencio que fala muito mais alto que qualquer palavra.
Tenho medo de interpretar o mundo alheio errado, os silêncios são coisas particulares que so cada um de nos sabemos o significados de nossas palavras mudas.
A casa dorme e escuto respiros em todos os cantos dessa estrutura bendita, escuto ate mesmo o respiro das minhas lembranças e pensamentos que so pertecem a mim.
Minha camera dorme virada para a parede como que não me querendo olhar, não gosto da minha camera me olhando, sinto que ela pode ver mais do eu quero mostrar.
O silencio, dessa noite fala, a voz chorosa de Yasmin Levy, quase me faz chorar com ela, tenho sono, meu corpo relaxado com o chá de folhas verdes que ja quase acabou começa a fazer efeito.
Hoje enquanto voltava para casa num transito calmo sentindo o vento da tarde bater no rosto e entrar por entre as laterais do capacete, via vacas gordas pastando num pasto verde e gaivotas desfrutando as correntes que sopravam do mar trazendo um cheiro fresco de coisas boas.
Meu caminho de volta tem um asfalta rugoso e me faz por mais atenção enquanto dirijo o ventos dos carros opostos me fazem balançar e descobri que isso me da um gosto, um gosto estranho de poder e controle.
O coelho do meu filho dorme encostado no meu livro preferido de fotografia,minha escrivaninha imóvel carrega papeis, cadeiras fazem fila como que se estivessem esperando muitos para sentar.
O silencio fala e grita e a unica coisa que penso e o que ele poderia estar falando, o silencio e o império dos sentimentos proibidos, e um maldoso que sem piedade te priva da certeza das coisas mesmo que nada seja certo.
Quando era criança fiquei um mes sem falar me lembro dos meus pais se perguntando o que estava acontecendo, o dia em que eles me perguntaram o porque eu não estava falando lhes respondi que queria aprender a me escutar.
O silencio da vida não passa de intervalos entre coisas, o silencio que impera de segunda a sexta, o silencio do ate logo, o silencio de perdoar e respeitar a existência alheia, o silencio devastador da duvida , o silencio delicioso daquele que sabe o que o silencio diz.
Silencio, pois o silencio vai continuar a falar, Silencio.







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