Verão das moscas,


Sentada atras do computador escuto aquele barulho das asas batendo contra o vidro da janela fechada, a forca e tao intensa que mais parece um ataque aereo a la Tarantino. 
Aqui quando e verão tudo se prolifera muito rápido, moscas, aranhas, aqueles mosquitinhos de fruta que insistentemente habitam a casa sem pedir licença, a luz intensa do computador realça a presença desses hospedes indesejados.
Na cozinha que tem uma porta para o jardim onde estão os containers de lixo pendurei uma cortina com corações de plástico vermelho que ja tenho faz uns três anos e todo verão ha tiro do armário com um pedaço a menos para servir de obstáculo para as moscas que teimam em visitar a sala,a cozinha o quarto e onde mais elas puderem chegar e ai fazer sua orquestra com suas asas pequenas e potentes.
No parapeito da janela pelo lado de dentro ainda vejo caído alguns corpos com suas asas voltadas para cima e com algumas partes esmagadas e outras ainda inteiras, vitimas de um momento de fúria contra aquele barulho irritante desses pequenos voadores. Quando se mata uma mosca e uma decisão muito importante, tirar a vida ou não. Essa raiva de alguma coisa que nos incomoda com sua presença e que esta ocupando um espaço que não e o seu, nos leva a tomar decisões precipitadas e impensadas .
Muitas vezes estamos como as moscas ocupando lugares onde não devíamos estar, travando batalhas para tentar alcançar o jardim la do outro lado do vidro, ate que alguém num ataque de fúria nos liberta dessa existência equivocada, e nos abre os olhos nos libertando da ignorância.
Ser mosca morta ou viva ? Esta e a questão. Não entendo por que as moscas continuam insistindo em atravessar o vidro para alcançar um mundo que elas estão observando. Na verdade a forca de vontade das moscas e de invejar, elas tentam abrir o vidro da janela no peito. Elas entraram ali por equivoco e logo depois buscam o lugar de onde vieram e quando se veem presas lutam com todas as suas forcas para alcançar a liberdade. As vezes fico imaginando a dor delas de cada impacto com o vidro, pois se pode ouvir com precisão o momento que seus corpos batem no vidro fazendo um barulho um tanto quanto prazeroso, pois ai você pensa, morreu, mais nada elas se levantam como se nada estivesse acontecido.
Acho que admiro as moscas.
Acredito que nunca mais vou me irritar com elas ou mata-las com um jornal sujo pelo suco corporal da mosca anterior.
Hoje vi algumas aqui rondando com sua cor esverdeada Fashion, aquelas de tamanho GG que carregam milhões de ovos em suas insignificância.
Tenho que confessar que assim que a notei logo olhei para o jornal ali esperando por mim e gritando por uma justiça que exigia silencio. Mas como ja havia refletido sobre a existência desse pequeno ser o ignorei e mudei seu endereço para o lixo la fora no jardim de onde vem minhas pequenas amigas, azuis, verdes, negras e com uma forca de vontade que da inveja a qualquer um, que eu seja mais mosca que antes.    

Homen mosca em Belgica

festa anual do 3 de outubro 


ma chère Sophia

procurando um novo rumo


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