Fidel Morreu. E ai?
E quase sábado, escuto Nana Caymmi “ entre amigos”, não quero escrever mais um texto cheio de nostalgias e saudades de tempos que não voltam mais.
Mas a verdade e que vai ser difícil não falar de nostalgia escutando Nana numa sexta-feira, acho que depois de uma idade somos so nostalgia, depois de uma idade regressar as coisas passadas e como um exercício de memória para o coração , mesmo por que depois de viver tanto e como se o coração ja conhecesse todos os sentimentos, então e bem mais difícil sentir, mesmo por que seria uma repetição constante de coisas passadas.
E como a vida e cíclica , viver e sentir, e como repetir coisas de formas diferentes mas a essência e sempre a mesma.
Para viver esse ciclo e preciso ter coragem, para viver e preciso ter coragem. Coragem essa que insiste em tentar desaparecer a cada dor.
Ontem, pintei as unhas arrumei as sobrancelhas, procurei me vestir com uma certa coerência de cores e fui a um congresso, ali me descobri com coragem e aprendi coisas as quais não vou contar aqui. Vi gente interessante, escutei gente interessante vi gente tentando ser interessante mas no geral foi tudo muito interessante.
O cara da fundação parece que vai me dar trabalho, mesmo depois que escrevi no meu curriculum que fui imigrante ilegal por dois anos.
Tomar decisões e não aceitar o acaso, exige muita coragem e uma vigilância constante e o compromisso de saber que vamos ter que terminar o que começamos.
Querer, não querer , nada e banal, cada palavra ,cada passo influencia o próximo capitulo ,um capitulo que não para mesmo que voce queira, mas para-lo bruscamente pode ser um atitude covarde de quem não teve coragem de viver esse ciclo, ou quem sabe uma atitude de coragem para terminar um ciclo de covardia.
Essa semana me lembrei o quanto e difícil ser mulher não importa a atitude, ser mulher continua sendo um estado delicado da sociedade e da alma.
Na yoga de terça-feira sentia a energia no meu corpo e me lembrei desses dois anos de solidão física, uma sensação indescritível de liberdade se apossou do meu coração em posição de saudação ao sol. Viajei na minha cabeça pensando o quanto tinha mudado nesses 730 dias, mudei tanto que preciso me reconhecer mais uma vez.
Dia 14 tenho uma reunião importante onde vou falar com pessoas de diferentes núcleos a respeito do futuro. Engraçado, falar de algo que para mim e tão abstrato, algo que muda a cada segundo a cada decisão, a cada ato de covardia ou coragem.
Falar do futuro.
Os soldados em mim despertaram, eles sairão de seus esconderijos e exigem seu direito a guerra.
O sono me cansa, não quero dormir hoje, e como perder tempo, quero começar tudo agora, não esperar mais a hora certa ou o momento onde não estarei cansada. Não quero dormir, e como se chegasse a minha hora, as portas estão abertas e todas as escolhas são minhas, não existe nenhum poder superior a minha própria escolha.São minhas portas, minhas escolhas, não existe medo, so a grande pergunta. O que vira depois do primeiro passo que foi dado ?Seja la em que direção for.
A yoga de terça-feira, fez doer músculos que ha muito ja havia me esquecido da sua existência, naquele lugar demarcado me senti como numa ilha junto comigo mesma numa conversa estranha, com aquele corpo solitário.
Ontem meu filho dormiu no meu colo enquanto víamos a Anthony Bourdin , que viajava por algum canto do mundo comendo de uma forma decadente e discutindo politica na mais absoluta superficialidade. Ja quase não consigo carrega-lo para cama, seu corpo crescido não me deixa subir as escadas íngremes dessa casa estrangeira. Outro dia nos seus quase 4 anos discutimos palavras das duas línguas e ele com orgulho me ensinava na sua criancice como me expressar nessa língua estrangeira que e parte da sua identidade.
Por mais que se escute essas palavras diárias elas sempre serão estrangeiras, por mais que voce as pronuncie em sua perfeição elas serão estrangeiras. Sim sou estrangeira nessa casa com escadas íngremes, sem proteção, habitada por muitas línguas. Essa semana descobri muitas coisas e uma delas e o peso da minha maternidade nesse pais estrangeiro onde me sinto vinda de fora.
Essa semana descobri muitas coisas, mas também me descobri forte dentro de todas minhas descobertas. Me descobri mais uma vez mulher, estrangeira, aluna de yoga, mãe de filho bilingüe,proprietária de uma bicicleta quase quebrada, dona de um curriculum estranho,dona de uma vida complicada, proprietária de uma galinha que tenho que proteger da gripe dos pássaros, dona de um corpo forte com músculos definidos e cabelos que crescem com uma certa urgência.
Essa semana, quando terminei de escrever meu curriculum numa lingua estrangeira me senti vinda de fora, quando terminei de contar minha vida ate aqui em capítulos curtos vi o quanto sou feliz por tudo que recebi nesses anos , essa semana diante dos meus diversos problemas me descobri uma mulher privilegiada nesse mundo cão.
Termino meu texto quase no final desse sábado. Ontem Fidel morreu.


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