Outros dias - a lentidão do inverno,monologo desconexo .
Ontem foi sexta-feira mais uma vez a semana passou muito depressa e hoje sentada tomando meu cafe da manha enquanto sonhava com o que deveria fazer e o que gostaria de fazer , descobri que era sábado.
Entre um pedaço de croissant, e um pedaço de pão turco em forma de circulo com sementinhas de sésamo que muitas vezes se alojam entre os dentes lhe dando uma certa irritação com prazer, vi minha inquilina que com um olhar ja conhecido me convidava a uma boa conversa.
Café quente, ela prepara um ovo sem óleo numa frigideira teflon e também come um pão turco comprado na mesma padaria com as mesmas sementinhas.
Seus olhos negros quase de menina e seus cabelos presos meio caídos apoiados por seu cachecol gigante cor de vinho entram na sala.
Com uma certa desconfiança com sua própria comida ela começa a partir seu ovo frito sem óleo e seu pão em pequenos pedaço e muito devagar os come entre uma observação e outra. Suas costas não se apoiam na cadeira e a comida parece um corpo estranho que devagar desaparece dentro da boca da inquilina Afegã.
Falamos sobre Ego e a arrogâncias da vida diaria e nossos papeis nessa grande comedia, fomos interrompidas por um barulho estranho que vinha da cozinha como se alguém batesse na porta. Fui olhar, mas não vi ninguém, me sentei e mais uma vez o barulho começou. Minha galinha Lampedusa que sofre de ataques agudos de fome cavalar tentava chamar minha atenção para que eu lhe desse comida.
A conversa acabou, a galinha comeu os restos do jantar de ontem e com muita falta de vontade por causa do frio de rachar, arrastei a mim mesma para fazer esporte e uma hora mais tarde e mais ativa sai pelas ruas quase vazias por causa do frio e fui comprar meu peixe na feira.
No mercado pensava o que iria cozinha e pensava por que o sábado não tem o sobrenome feira. Deveríamos batizar o sábado mais uma vez, mesmo por que sábado e dia de feira. Bom depois de comprar duas cavalas lindíssimas por 3,00 euros no peixeiro que também era Turco, comprei arroz na promocao no mercado biológico, caminhei devagar entre as pessoas observando o quanto o inverno nos muda, estávamos todos escondidos dentro de nossas roupas, procurando comidas quentes e bebidas quentes para nos aquecer. O inverno nos torna sobreviventes, nos voltamos para necessidades básicas, como comer e estar aquecidos.
Depois de cruzar a feira e a rua e escapar de bicicletas que loucas se metiam por entre as pessoas cheguei a minha bicicleta baú com minhas compras e as mãos queimando dentro das luvas por causa do peso e do frio.
O que cozinhar para o almoço?
Um curry de peixe, arroz branco, com folhas de repolho refogadas.
Os peixes ja limpos, uma panela grande, de uma forma natural a comida foi preparada e meu almoço de sábado, com uma casa cheirando a curry, foi magnifico.
Enquanto comia aquela comida cheia de sabores vinda de todo o mundo pensava numa sobremesa e ainda tinha uma abóbora na cozinha que precisa ser usada rápido antes de ir para o lixo, alguns cravos, mel, umas uvas secas.
Minha inquilina Afegã, esta estudando e eu tenho muitos documentos abertos na minha tela de fundo e o documentários de Nigel Slater’s um cozinheiro inglês famoso que fala sobre a historia dos bolos. Sao quase 21.00 horas amanha vou correr no parque bem cedo com certeza vai estar muito frio.
O documentário me distrai, a historia dos bolos vejo para me ajudar a terminar de escrever meu projecto, que e a respeito de comida e vai alimentar mais que meu corpo na verdade esta alimentando minha alma.
Agora são 21.46 ja preparei meu pão de abóbora por que amanha meu filho estará em casa ele sempre me pergunta o que tem pra comer quando acorda. E muitas vezes essa pergunta acaba em panquecas de aveia. Voce deve pensar que minha semana so foi isso mas na verdade essa semana foi assustadora, meu pai foi internada do outro lado do mundo, fiz uma tatuagem, descobri que vou ter que ter outras atitudes mais belicosas com algumas pessoas, que provavelmente terminarão em conflitos, fui a minha terapia corporal, fiz uma sessão de fotos para um cliente especial, escrevi a parte grossa de um projeto, chorei, briguei no telefone, eduquei, cuidei, ensinei a andar de bicicleta, fui a ginastica, negociei as dividas, levei a escola,li historias, cozinhei para amigos.
Uma nova semana vai começar, e hoje na cidade ja cheirava a natal, daqui a pouco e ano novo 2017, os dias passam rápido, mesmo dias como esses, cheios de frio, sem sol onde temos que nos arrastar por todo o processo de começar e terminar ate nos entregarmos as nossas camas.
E daqui a pouco e 2017 e verão mais uma vez, mas agora não, agora e ainda agora. Pra que a pressa? No final o tempo passa rápido mesmo. Feliz ano novo.


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