Ex- soldado da antiga Jugoslávia , Calcinha e sutiã novo, meu primeiro dia de trabalho e a delicadeza de um viciado.
Meu primeiro dia de trabalho
Era sexta-feira, a passada, o stress me tomava a cabeça, o suor que molhava minhas costas debaixo daquele casaco de inverno que mais parece um urso, meu filho a cada cinco segundos me perguntado por que estávamos indo a escola e eu contando todo o esquema do dia pela milessima vez, o barulho da roda seca da bicicleta fazia a trilha sonora desse filme, crek,crek,crek , e o suor corria.
Toda vez que tenho alguma coisa nova na minha rotina me custa horrores organizar e me adaptar a toda essa mudança que quer dizer, alguém para cuidar do pequeno, calcular todos os horários, fazer compras para garantir a comida, preparar as refeições para quando o pequeno estiver com a baba e estudar os horários de trein para chegar a tempo, mesmo por que aqui atrasos são vistos como um certo tipo de crime, uma coisa sem moral, pior e que não estou exagerando.
Mas bem, passado isso ali estava sentada no trein conversando com meu chefe grego a respeito do meu futuro trabalho, desenvolver projectos e atividades artísticas num campo de refugiados.
A viagem passou muito rápido, foram quase duas horas e ali estava eu sentada numa sala de uma casa temporária de acolhida junto com quatro meninos entre 18 e 25 anos tocando violão, nenhuma palavra, era uma situação estranha mesmo por que ninguém queria falar.Um deles se apresentou e disse que vinha da Síria, jovens, cheios de vida com passados que eu desconheço mas tão jovens e tão cheios de vida como qualquer outro jovem de qualquer canto do mundo.
Logo depois seguimos com o programa do dia , vi, observei e entendi muito mais do que antes e como ja sabia ver e a experiência que conta a verdade das coisas o resto e so um interpretação cheia de tendências.
E assim foi minha sexta-feira meu primeiro dia de trabalho que acabou com uma cerveja e um sopa de noodles e uma conversa de uma hora no telefone e ai ja era sábado.
A delicadeza de um viciado -
Hoje fui pela segunda vez num templo Hare Krishna por que vou trabalhar como voluntaria na cozinha para aprender a culinária Krishna (vegan).
Quando caminhava para minha bicicleta baú para vir para casa cansada e com Hare Krishna, Krishna, Krishna na minha cabeça como chiclete,o frio e o cansaço não tiraram a minha atenção do céu, tinha uma luz que nunca vi em lugar nenhum, enquanto fazia uma foto com meu telefone metido e tão sensível que as vezes so faz o quer, senti que alguém se aproximava.
Na minha cidade existem como em qualquer outra figuras que fazem parte da paisagem urbana e por aqui tem dois viciados, que sempre pedem dinheiro aos redores da estação para comprar suas drogas. Eles tem um aparência devastadora dos usuários de heroína e muitas vezes estão extremamente agitados e agressivos . Quando me virei da foto um deles estava quieto perto de mim me esperando terminar minha foto e para não me assustar me perguntou docemente com uma calma e uma sobriedade que pela primeira vez em todos esses anos pude ver e ouvir seu lado humano , e era doce e delicado.
Ok, calcinha e sutiã novo,
Qual foi a ultima vez que voce comprou roupas intimas bonitas que pudessem expressar uma parte da sua sensualidade?
Nessas ultimas semanas ando pensando muito na minha sexualidade, sensualidade e também na minha idade.
Ja pensou que o tipo de relação sexual que voce teve ate hoje não combina com seu jeito de pensar e de ser, que provavelmente e so um acto mecânico necessário, prazeroso mas também sem futuro, sem desenvolvimento alguma coisa que acontece e morre?
Esta bem . Isso parece pessimista ou ate mesmo descabido, mas não.
Comecei a ler alguns artigos a respeito da energia sexual que também e a energia espiritual e criativa . OMG!!!!!
Descobri coisas lindas e também descobri o perfil sexual que talvez pudesse ser o meu.
Acho que vou falar desse assunto depois de forma mais detalhada, mas desde ja sexo e muito mais que sexo.
Ex- soldado da antiga Jugoslávia -
Tinha acabado de perder o bonde, sempre tenho alguma coisa na minha bolsa gigante para fazer, um livro pra ler e no inverno faço umas coisas para cabeça que parecem tocas mas são mais faixas, coloridas e quentinhas.
Bom, ja que tinha perdido o bonde continuei fazendo minha faixa numero 10.
Um homen com uma sacola de supermercado azul se aproxima e com um sotaque conhecido me diz em holandês que não havia nesses quase trinta anos visto ninguém fazer o que eu estava fazendo, ou seja um crochê.
Ele tinha uma voz de Tenor e uns sapatos horríveis, era muito educado e se sentou ao meu lado, instintivamente tira seu saco de fumo fedido do bolso e me pergunta se poderia fumar ao meu lado, eu lhe digo que não por que tenho asma.
Educadamente ele se levanta e se poe alguns passos adiante e me diz que o vento cuidaria que a fumaça não me incomodasse.
Nossa conversa continuou, ele me disse que durante a guerra não havia comida mas mesmo assim as pessoas continuavam fumando e quando o fumo acabava eles fumavam folhas de urtiga,uma sorriso irónico saiu da sua boca cheia de fumaça e não pude deixar de ver aquela expressão nos olhos daquele sobrevivente.
Meu bonde chega, nos despedimos formalmente num holandês, carregado de historias da guerra e lembranças de um ídolo que ainda existe na cabeça daquele soldado, que aprendeu a fumar folhas de urtiga e continua se lembrando do crochê das suas irmãs, que como eu faziam roupas e tocas para o inverno.
Ja são 22 e 28 meu domingo ja quase acabou na próxima semana chega Kate e eu começo minha segunda temporada de terapia corporal onde vou estudar e desenvolver minha sexualidade,sensualidade e apreciar minha idade nessa minha segunda existência.
Nana Caymmi canta doce, uma oração em latin para Maria mãe de Deus, o aquecedor esta frio e meus pés também , meu chá acabou, e hora de cama, dorme em paz.

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