Toda mãe carrega dentro de uma caixa escura uma puta reprimida.
O terapeuta lhe perguntava: O que voce esta vendo?
Com um sorriso estranho que ela não sabia de onde vinha lhe disse: e escuro,quente, confortável.Não sabia que sentimento era aquele, uma mãe que necessita de um lugar escuro para descansar onde ninguém a vê, onde tudo nela e um mistério que ninguém e nem nenhuma situação poderia possuir, um mistério tão profundo que ela mesma se perdia nele.
Ela se condenava por saber que aquele era seu lugar preferido e não o lugar que lhe haviam dado o qual ela o repudiava todos os dias, mas todos continuavam lhe impondo, insistindo na posição submissa de “madona virgem “que ela nunca foi, mesmo por que ela se encontrava na pele de uma puta, uma boa e velha puta, livre de qualquer moral externa repressora.
E naquele dia ela tinha gritado com seu filho que lhe enlouquecia pelo fato de lhe ignorar nos piores momentos, e sim ela gritou e dolorida de remorsos lhe pediu desculpas e a criança ja com um caracter de um adulto cheio de raiva lhe virou a cara se recusando mostrar qualquer traço de piedade,diante daquele grito desesperado .
A dor da consciência materna pode ser gigante, levando a dores físicas com exageradas lagrimas, essa dor moldada por gerações de úteros oprimidos. Logo depois do terceiro copo de vinho e muita musica escolhida com um propósito, ela começou a esquecer sua culpa que lhe causava esse desconforto profundo.
Sim, ja havia passado da hora de dormir, ela era um ser da noite e a maternidade lhe obrigava ir para cama as 22.30 min, naquele dia num ato de rebeldia ela não foi, ainda havia muito vinho a ser bebido e Sam Smith na sua voz sex perguntava “ Can i lay by your side “, ela não sabia onde acabaria aquela noite, aquela culpa, aquele vinho. Ela sabia de todas as suas responsabilidades do dia seguinte e sabia como se sentiria, ela sentia que era tempo de liberar alguns de seus piores bichos, ela se sentia um animal selvagem pronto a morder e sair correndo de seus próprios dominadores. Ela sentia uma dor intensa, as lentes sujas de seus óculos não lhe deixavam quase ver a tela de seu computador, que a conectava com um mundo que ninguém podia ver, so ela, por horas ela podia se sentar ali olhando o vazio da tela .
Ela sentia que era hora de abrir as portas de todas as jaulas e liberar todos os animais que ela pudesse, todas forcas naturais e sobrenaturais para que ela pudesse viver e se libertar.
Uma vez ela havia lido ou visto num filme que antes da morte as pessoas tem uma forca descomunal que elas devem usar como se fosse a ultima chance, essa era sua ultima chance de viver, de liberar a verdade mais absoluta que ela carregava dentro dela durante aqueles 44 anos de existência .
O vinho lhe dava uma certa liberdade em escrever e as palavras desciam de seus pensamentos como gotas doces de álcool, que pingavam no teclado branco imaculado, ela estava livre da moral materna que ha estava aprisionando por tantos anos, naquele momento ela entendeu por que ela foi deixada sozinha para seguir naquela missão de amor e dor.
Ela sentiu seu peito como um palco de um grande duelo ela estava pela primeira vez depois de tantos anos apaixonada por um estranho, que provavelmente não dividia com ela o mesmo sentimento, “Bravo”, palco para mais um de seus dramas emocionais.
Seus anos de abstenção emocional lhe fez crescer uma pele de um estupidez virginal, onde seus desejos e sentimentos femininos eram elementos indefinidos e frágeis.
Quem sabe dessa vez seria diferente, se ela parasse tudo aquilo antes de doer tanto que ela não pudesse carregar. Aquele lugar de seu corpo ali perto de seus seios ainda bonitos de pele clara e macia, foi palco para muitas batalhas que ela não havia esquecido ainda. Por que buscar mais dor ? Por que sofrer ? Se sentir morto ou vivo era alguma coisa que para ela quase não importava mais, ela via seus dias como um lento suicido se matando aos poucos e tentando dar-se a algo que pudesse aproveitar suas carnes e sua alma. Mas não seria a vida um lento suicido de qualquer forma? Ela não podia esperar por mais nada, na verdade ela teria que ser honesta com tudo e todos ao seu redor , e com ela mesma. O que iria fazer do resto de sua vida?Ela tinha medo de ir para cama naquela noite gelada , de tirar os phones do ouvido e ouvir os sons da sua casa, os sons que confirmavam seu destino, o vinho tinha acabado e ja eram 23.30 quase, e a musica entrava na sua cabeça a tirando dali a enlouquecendo fazendo sentir coisas que fazia muito que não sentia, a cabeça leve de álcool e o coração estranho, assim ela ia para cama naquela noite sem nenhuma promessa estupida. Ela poderia ficar ali a noite toda, ela não precisava de mais nada, aquele mundo estava bom para ela, era como se ela andasse pelas estrelas, como se visitasse planetas, dentro da sua limitação de se sentir livre e bêbada com a coragem que lhe brotou na alma quando decidiu se despir de si mesma.

Comentários
Postar um comentário