Humanos



Ja e fevereiro mais uma vez, na maioria dos anos nunca estou aqui nesse mes, esse ano foi diferente.
O inverno em fevereiro faz com que a vida nos questione muitas coisas.
Essa noite sonhava que tinha vinte anos e segurava a mão de alguém  enquanto borboletas povoavam meu estômago, eu sorria com um certo prazer, acordei, então me lembrei de muitas coisas e uma delas e que nunca senti saudades dos meus vinte anos.
Nesse mes meu corpo doe por causa do frio e sinto uma grande vontade de fugir para qualquer lugar que me ofereça uma outra opção.
Diria que isso são sintomas de um inverno muito longo e semanas, meses, sem ver a luz, nesses dias e como se vivêssemos em outro planeta, nada propicio a vida.
Hoje e ano novo chinês o ano do porco, aqui vão celebrar no sábado na cidade vizinha, impressionante vê-los todos juntos festejando, nesse dia me sinto fora daqui em algum lugar encantado, com homens vestidos de dragão passeando pelas ruas e fogos de artificio em todo canto, crianças com cabelos negros como a noite e seus lindos traços asiáticos enfeitando uma paisagem cinza e sem graça de uma arquitetura indecisa. Sempre estou fugindo desse lugar, buscando portas de saída  como se fosse uma brincadeira, mas na verdade isso doe a cada tentativa falha.
Acho  que passei os últimos 19 anos fugindo, não necessitando ser mais nada, como se houvesse perdido a responsabilidade de me conectar com qualquer um ou qualquer lugar, uma amiga me disse que e por que meu ascendente e Sagitário.
Hoje depois de tres dias de meditação, me pergunto. Por que que fujo? Ou sera que isso não e uma fuga e so uma maneira de viver que aprendi?
Na verdade não sei.
In fevereiro de 2000 deixei meu pais definitivamente e nunca mais voltei, morri um pouco e nasci outro pouco em outros lugares, fui deixando pedaços de mim por ai e muitas vezes de tempo em tempo tenho que voltar a esses lugares para encontrar pedaços do que eu era para saber o que sou hoje.
Sentada aqui com meu cabelo azul, e com um coração agitado procurando a próxima porta  e um corpo que não sabe a idade que tem, me sentindo meio adolescente e meio velha.Me pergunto.
Para onde vou?
Nesses anos todos criei algumas regras de sobrevivência,  e uma delas, quem  sabe a mais importante, e uma coisa de cada vez.
Ja faz uma semana que estou escrevendo e ainda não consegui terminar esse pensamento na verdade nem sei se quero terminar alguma coisa na minha.
Quem disse que temos que terminar coisas? Algumas coisas nunca terminam, temos mania de começo e fim, esquecendo que os meios podem ser infinitos.
Hoje passei a tarde com dois senhores de 70 anos ou mais, que me contavam historias da segunda grande guerra, estou fazendo uma pesquisa para o meu trabalho e eles fazem parte de um museu perto do campo de refugiados onde trabalho.
Esses dois senhores simpatizantes dos alemães me mostraram uma outra visão da  guerra que me deixou fora do lugar, resumindo a guerra e uma merda que os humanos fazem uns com os outros. Eu sei, pensamento não muito profundo mas e efeito do vinho para relaxar todos os músculos tensos.
Aqui esta ventando fazem tres dias, o vento e tão forte e vem de todos os lugares que as vezes voce acha que ele faz de propósito. 
Hoje sentada em frente aos túmulos dos soldados mortos no dia 10 de maio de 1940 pela manha, junto com aquelas duas figuras saídas de um livro de historia qualquer, me senti humana , podendo entender muitas das nossas falhas e dos deuses  que criamos ao longo da vida.
Resumindo.
Que semana!!! 
Saude !!!!
Proost!!!
       



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