Negra-Black 

Era segunda-feira logo depois das ferias de verão , aquelas semanas milagrosas na beira do mar com sol e muito sal fazia com que os pensamentos daquela cabeça feminina quase chegando aos cinquenta , encontra-se clareza e compromisso para começar uma nova etapa.
Naquela manha enquanto deixava o filho na escola as outras mães a olhavam com olhos de espanto de vê-la tão elegante magra e feliz.
Logo depois das crianças quase arrastadas pela professora entrarem para classe para o primeiro dia de aula ,ela com muitos sorrisos se despediu de todos como se houvesse sempre sido a mãe mais popular daquela escola, o que nem de longe era verdade.
A cidade estava numa manha de ainda verão linda ,seus prédios  iluminados por uma luz amarelada cobria tudo com uma certa certeza que naquele inverno que viria a vida estaria melhor. Caminhando ao lado da bicicleta pelas ruas estreitas ela fazia o caminho de casa com calma mesmo por que ainda estava de ferias,com um sorriso bobo na cara de quem parecia apaixonada.
Numa das muitas pontes da cidade no caminho ela se encontra com uma das mulheres da escola de seu filho e sem muita agonia social nortenha mesmo por que ambas vinham de outras terras , foram e se sentaram no cafe mais próximo para atualizar suas novidades femininas que estavam acumuladas pelas semanas de verão onde não haviam se visto.
A mulher que estava no caminho em cima da ponte era uma das poucas mulheres da escola com quem nossa personagem tinha contacto, ambas eram mãe solo estrangeiras, e buscavam por vidas melhores.
Ser mãe solo ja era uma forma de diminuir muitas possibilidades independente da cultura ou localização geográfica onde a pessoa possa se encontrar para vencer essa barreira que traz muitas outras e construir uma vida para a assim chamada mãe solo e a pequena criatura e mais que complicado e uma missão árdua .
As duas mulheres com seus cabelos negros sentadas naquele cafe numa das mesinhas que ficavam logo ali no meio da rua , enfeitavam aquele lugar, não havia quem não passasse que não se contagiasse com a alegria estrangeira daquelas duas.
Vamos chamar nossa personagem de Black, acredito que esse seria um nome que ela aprovaria, Black e uma mulher estranha nunca e a mesma pessoa duas vezes, mas para entender isso você deve conhece-la melhor.
 Nunca teríamos a chance de falar com Black se ela soubesse que estaríamos tentando entende-la assim que e melhor fingir desinteresse.
Ela tem os olhos com uma certa fome inexplicável como se comesse a alma do outro, essa necessidade que algumas pessoas tem de saber dos mistérios da existência alheia era  uma característica marcante dela.
Seu corpo era uma metamorfose que iria desde a mulher quase cinquentona ate a jovialidade de alguém nos seus trinta, dependia do dia e de seu nível de depressão, sim Black se deprimia e se curava diariamente.
Mas naquele verão alguma coisa havia mudado, na verdade muitas coisas haviam mudado em Black , como se todos aqueles anos de sofrimento e sobrevivência emocional e financeira houvessem chegado ao final e ela sem perceber entendeu com seu corpo e coração.
Tudo nela estava mais bonito e acentuado e como que escutando um chamado natural começou a se arriscar e quem diria que  depois de tudo poderia se sentar naquela manha de ainda verão e falar sobre seus planos de um inverno romântico e a retomada de sua vida emocional.
Uma vergonha , fantasiada de medo fazia seu rosto corar quando perguntou a outra mulher como teria que fazer, para voltar a se relacionar com o sexo oposto. A amiga estrangeira de 
Black sem nenhum pudor encheu a rua com sua risada debochada e cheia de prazer e logo depois com um movimento de cabeça lhe disse “ assim me olhe” Black encantada com a liberdade da outra mulher a vê seduzir um homen jovem que passava com um cafe na mão e que derretido pelos encantos femininos perde o sentido de direção voltando a sua rota com um grande sorriso.




De volta ao passado -
Isso era 16 anos atras, 
Naquela manha ela acordou como se não houvesse acordado em seu corpo se parecia com aqueles sonhos que podemos nos ver dormindo na cama.
Desde  cima ela via a cena que fazia parte, naquele começo de dia ha 16 anos atras.
Aquele corpo velho, com uma barriga gigante, dedos curtos e grossos dentes postiços, sem cabelos suficiente para cobrir seu crânio. Esse amontoado de coisas indesejadas por uma mulher de menos de 30 anos, estava ali ha seu lado, o pior não era a questão física e nem a idade o fato e que ela não sabia como havia parado ate ali naquele exato momento.
Estava prisioneira daquele ser, estava prisioneira de si mesma e de sua inércia. 
Por onde começar a fugir. 
Como começar um confronto quando não sabemos com quem estamos lutando não sabemos da forca do outro?
Como começar um confronto quando não sabemos de nossa própria forca? 
O ancião se levantou de mal humor, ignorando a presença de Black, cocando a barriga sai do quarto como se estivesse so.
Sem muita vontade quase que em pânico tentando acalmar seus nervos Black se levanta e começa a escovar os dentes, os passos pesados do homen enchiam a casa logo depois do barulho pesado de urina caindo no pote e aos redores.
O homen entra no espaço e a olha com desgosto “você esta ficando velha, vou ter que troca-la por alguém mais jovem”.
Black sem reação sai e desde para cozinha onde põe o cafe, o dia estava escuro e frio ela sentia sufocando, como se algo tentasse mete-la em algum lugar onde era fisicamente impossível , tudo naquele corpo doía, sua alma doía. 
Ja não havia mais espaço para esconder que tudo estava errado, aquilo era para ser somente uma aventura e ela havia acabado ali, sem saber para onde ir, sem saber como pedir socorro.
A indelicadeza daquela situação era impossível de ser aceita Black agora sentada ha mesa olha o ser que devorava, bocados de pão onde a cada mordida se escutava o barulho dos dentes postiços que ameaçavam ficar pregados no bolo alimentar …  



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