Amor


Queria falar de amor.

Falar de você, falar com você, lhe dizer bom dia e quem sabe ate logo.

Esse amor que ninguém espera, como a fumaça do cafe que anuncia a magica desse liquido estranho.

Queria tanto falar de amor.

Como?

Na verdade nem sei se um dia o conheci, as vezes acho que não, mesmo por que sempre achei que o amor fosse como coelhos saindo da cartola,  o engolidor de facas, Cristo andando sobre as aguas.

Simples assim.

Nunca me contentei com as minhas historias por isso as fiz mais bonitas, meus amantes e a falta de criatividade masculina despertou em mim esse inconsciente desejo de mistificar esse sentimento.

Amor, meu zodíaco me diz que “esse ano vou encontrar o amor da minha vida”, que assustador.

Ai fico pensando como ele seria, então crio tantas caras que ele acaba desaparecendo e mais uma vez o ano termina e não o encontro nessa montanha de retratos pintados nos meus pensamentos.

Passam os dias, anos, ate uma vida  e ele preguiçoso sem pressa não chegou, não me olhou nos olhos, não andou sobre as aguas, nem se quer tirou os coelhos da cartola.

E eu ja sem esperança ou fantasia ja não o espero, quem sabe agora que estou em silencio ele encontre o rumo certo e um desses dias o vejo caminhando sobre as aguas da minha cidade, ou de cartola pelas ruas tirando coelhos.

Quem sabe… 

  

 

 

    

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