Mãos dadas,
Era quase impossível de imaginar o calor dos seus dedos entrelaçados nos meus, suas mãos sujas de tinta, suas unhas largas bem feitas, sempre escondidas nos seus bolsos ou em qualquer outro lugar onde não fossem vistas.As linhas que desenhavam suas formas, a cor doce da pele, antenas de um mundo invisível.
Que instrumento maravilhoso esse, como duas colheres divinas que foram feitas para nos dar o prazer de saborear a existência alheia.
Naquela tarde as suas encontraram as minhas, as suas firmes e obstinadas a vencer as barreiras desconhecidas, e as minhas molhadas, meio tremulas se refendendo ao poder magico desse encontro, então senti seus dedos descendo por entre os meus, como um movimento eterno sem fim e desfrutei de cada segundo dessa eternidade sentindo o calor que saia da sua pele se espalhando pelo meu corpo inteiro e logo depois alcançando meu espirito.
Essa reação química imediata me embebedava abrindo um espaço em mim que eu desconhecia e quando senti que estávamos entrelaçados daquela forma, parecia a morte, parecia o sono uma neblina que havia tomado conta dos meus sentidos.
Minhas mãos nas suas era como cafe com leite, era meio cliche, meio lindo, meio a meio, meio dia, nem sei o que dizer quando minhas mãos tocaram as suas, nem sei o que dizer.
Se minhas mãos falassem com certeza nesse momento gemeriam. "
M.V

Comentários
Postar um comentário