Meninas eu vi!!!!!

Depois de corre daqui ,toma banho dali, a roda da bicicleta quebrada na ultima hora, uma corrida de botas ate a estação  de trein que custou a saúde dos meus pés e finalmente estava sentada no bonde numero 1 rumo ao meu trabalho. A luz do sol entrava por entre as pessoas batendo em cheio no meu rosto e me cegando, mais me dando muito prazer. Com os olhos fechados e os pés flamejantes da maldita bota tentava relaxar ate chegar ao destino final, mais sacoleja daqui e dali acabei abrindo os olhos e vi um casal que tinha visto de relance na correria para tomar o bonde, eles estavam sentados na minha frente.
Os dois polacos me chamaram muito a atenção  pela a maneira com que se tratavam, havia tanta confidencia nas trocas de palavras que parecia que estavam representando.
Ela devia estar na metade dos cinquenta, loira com um aplique que não parava de cair e que ha incomodava muito, suas mãos dançavam um bale maluco para tentar fixar os cabelos comprados que com uma insistência nada humana não parava onde devia. O rímel  era tão carregado que fazia seus lindos olhos claros se parecerem aos de uma daquelas bonecas  que muitas meninas como eu passaram desejando a infância inteira. O nariz daquela quase boneca senhora deixava ver traços de uma uma mulher que na juventude deveria ser estonteante.
O bonde esquentava a medida que seguia pelo sol da tarde e o perfume alcoólico desse casal embriagava as pessoas próximas. Ele o cara estava no começo dos cinquenta alto bem alto, usava um terno desbotado azul e tinha pedaços de cabelos recém cortados decorando suas costas estreitas. Usava um gel no cabelo que por estar mal distribuído deixava um ponta de cabelo seco levantado aqui e ali. Eles conversavam tão próximos  que não conseguia entender seu dialogo mesmo estando colada neles, era como se fosse uma linguagem criada so para aquelas duas pessoas. No final de cada frase dita por ele seus olhos procuravam a aprovação da sua companheira que com um olhar carinhoso cheio de manha com um sorriso nos olhos lhe dizia que estava bem.  
Eles faziam questão de se tocaram com uma certa leveza, tudo era sedução e ambos correspondiam a cada sinal do outro naquela dança sensual, embriagados pela existência de cada um.
Depois de arrumar o aplique mais uma vez encobrindo com uma mecha de cabelo loiro surrado, ela olhou as unhas cinzas prateadas ajeitou-se no banco duro de cor marron do bonde, cruzou as pernas e deixou seu ombro tocar o dele, que num gesto cavaleiro ofereceu a ela mais um pedaço de si para que ela pudesse se encostar melhor. A voz programada avisava que era hora de todos descerem, o ultimo ponto. Ele se levantou primeiro sua camisa branca encardida aberta no peito deixava ver uma pele avermelhada do sol, ela meio que com vergonha sai do banco do bonde mais ele vendo suas dificuldades em mover-se lhe oferece sua mão tão gentil que a conduz a rua que levaria os dois amantes ao seu destino final.  

Ainda de relance vi quando os dois desapareceram  atras do bonde rumo as dunas que naquele final de tarde começo de noite se tornaria a cama daquelas almas.  
Os amantes

Comentários

Postagens mais visitadas