O sexo e a carne,



  As carnes rolantes no espeto, giravam silenciosamente como resignadas ao seu destino, mãos masculinas de todas as cores e procedências  retiravam os pedaços de fibra bovina tostadas pelo fogo elétrico    com uma agilidade de quem tem pressa em alimentar aquelas bocas primeiro mundenhas e satisfazer sua gula  agressiva e intolerante.
Se desligássemos a musica alta e o telão que exibia muita carne feminina poderíamos escutar as mandíbulas triturando o bolo alimentar.
Pernas servis correm em todas  as direções tentando apagar a sede dos devoradores de bichos. Gordura, álcool, telefones, bundas e tetas enfeitam aquele cenário escabroso e sensual.
Quilos de arroz, feijão, farofa, peixe, palmitos, ovos cosidos, lasanha desaparecem,tomando um destino inserto nos intestinos alheios.
Peidos perdidos, barulhos vagos, arrastar de cadeiras, aumentam a orquestra humana naquele aglomerado insano.
O cansaço, o suor  a carne, o sexo que brota nos cantos de cada mente naquele turbilhão de movimentos, temperos, fritos, alcool e gordura  , tem sabor do mais perfeito e perfido desejo. 
O roçar dos corpos naquele balé que acaba a meia noite e um exercício prévio do que vira, as migalhas levadas nos sapatos se grudam uma a outra como aqueles que se olham a distancia se imaginando e se tocando e se despindo num mundo paralelo e irreal.
Risadas carregadas en testosterona, mulheres amargas  batalham com seus decotes e bundas proeminentes, um jogo de pernas mundanas entrelaçam cada chance do prazer que se perde no cheiro da carne que nos espetos rolantes  silenciosamente giram e aceitam seu destinos resignadas.  
Comer, comer e comer, os lábios que como num ato sexual onde carne toca carne se enchem de prazer e picanha abrindo caminho para suas gargantas para alimentar seus corpos com os corpos alheios. Os suco doce do sangue mal passado escore por entre os dentes com uma certa deselegância.
Comer a carne santa bovina sacrificada para alimentar o prazer desses seres tão humanos e tão belos dentro desse cenário dantesco.
Mais olhares se cruzam de um distancia quase que ao alcançar do tato, lábios quase beijam , os cheiros dos bichos presentes se misturam, homem, mulher,homen…
As nuvens de pensamentos juntam todos no mesmo espirito presente, as horas passam os actos não acontecem, tudo e quase e nada se faz real. Onde foi parar o beijo, a carne da boca do homen que olhava querendo amar? Onde foi parar o sexo? 

Tudo e quase, e para e volta  para os espetos de carnes rolantes que resignadas aceitam  silenciosamente seu destino .


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