TCHAMANTCH É - EQUILIBRIO
Rokia Traore , canta com sua voz doce meio pesada e as vezes não,e ajudando a entender o começo desse dia, três dias antes do natal e 9 dias antes do ano novo.
Meu filho ainda dorme calmo em seu berço aos pés da minha cama com seu pijama azul e seu rosto lindo que me olha com os olhos fechados e que de vez enquanto sorri dormindo.
La fora o escuro ainda abraça o dia que teima em não aparecer, a vida volta ao normal nessa casa e em nossos corpos depois de duas semanas de gripe e febre de 40 graus e poucas horas de sono.
O silencio do final do ano me faz pensar muito e me seguro para não analisar o que passou nesses quase 365 dias , uma coisa posso dizer foi um ano com grandezas em todos os sentidos.
Ate parece que não fui eu quem viveu tudo isso, ate parece que não fui eu que mudou tudo isso, ate parece que não fui eu que cruzou todos esses territórios e hoje senta aqui para olhar o que fez.
Me sinto aquela que subiu a montanha e agora aprecia a paisagem um pouco destruída aqui e ali mais ainda assim cheia de beleza. La de cima vejo esse vale que não e de lagrimas com um rio lindo que desce desde de la do pico do começo da paisagem com uma forca sem vergonha , levando coisas que estavam paradas pelo caminho. Ali as arvores crescem ,verdes e fortes nesse vale com uma beleza estranha quase que assusta.
No vale que vejo la de cima, os pássaros são livres e cantam em línguas diversas sem nenhum medo de parecer ridículos mesmo por que vergonha e coisa de gente que viveu encarcerada.
Nesse vale que vejo as pedras são tão lindas que ate mesmo parecem macias, o vale desaparece dentro do horizonte e não vejo o fim desse rio, não vejo a ultima arvore.
O sol ilumina tudo e as sombras das coisas dançam aqui e ali, ai em cima da montanha vejo esse vale que me convida cheio de misterios e poderes, um vale mais que magico, e um vale real, intenso ,profundo.
O vento fresco do topo daquele lugar me pede para ficar mais, mas e tempo de ir, uma viagem me espera, uma viagem de busca e muita responsabilidade.
Me levanto me fazendo alta no topo daquele topo e com um olhar firme e amplo aprecio mais uma vez o caminho que vou fazer. Firmo os pés no chão, sinto o vento mais uma vez que passa por mim e sinto a luz na minha pele que me aquece e revitaliza, minha jornada pelo vale começa aqui. Meu coração esta feliz e com medos que tranquilizam, medos que te fazem pensar e que constroem. A descida ao vale será longa ou quem sabe não, vou deixar meu coração e pernas definir a rota, não tenho pressa e vou mudar o caminho quantas vezes for necessário, assim farei dessa viagem mais que uma viagem. Escuto a musica das coisas que embaixo dos meus pés ficam para trás, são meus primeiros passos que fazem sentir como que É o começo de uma ida que não terá volta. Minha viagem começa aqui e aqui lhes digo adeus ou ate logo.


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