Confiar…


Como se alguma coisas liquida, gelatinosa, volumosa  tentasse sair pela garganta meio que sufocante, mas também trazendo um alivio e um vazio instantâneo, que logo será preenchido por outro vazio, por outro alivio e por outra coisa liquida e gelatinosa.

Por que nada para, as coisas acabam e começam, sem interrupções, numa respiração ofegante sem forma, sem cor, como um músculo que vai e vem, que sobe e desce, sem intervalos. 

E la fora, ainda chove e o escuro continua, mesmo ascendendo todas as luzes, nada ilumina o suficiente.

O barulho do respiro saindo pelas narinas, quente, vivo, dando espaço a outro suspiro, dando espaço, limpando o peito, abrindo o peito, pra mais logo entrar o ar frio da casa gelada, do dia molhado, das horas sem fim.

A luz da cozinha acesa, as velas acesas, o banheiro, a sala, o quarto tudo aceso.

Confie…        

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