O homen de hoje de manha com suas mãos enroladas.
Segunda-feira, meu stress começa no domingo a noite quando meu corpo entende que a semana esta batendo na porta e que os dois dias de liberdade precisam dizer adeus.
Não me critique, tudo tem um tempo e eu estou no meu tempo de descobrir que não quero viver assim para o resto dos anos que ainda tenho, por que a vida e um sopro numa superfície cheia de poeira.
Mas bem, hoje segunda-feira ainda foi uma dessas segundas de stress, me levantei as 5.40 minutos, se não for tão cedo meu filho chega atrasado na escola e não por culpa dele, e por que eu preciso de tempo para acordar e me preparar para sair.
Depois de deixa-lo na escola passei no mercado logo ali perto para comprar algumas coisas que faltavam e caminhei para casa.
Estou levando ele meu filho para escola caminhando por que estou me recuperando de um burn out, leva-lo de bicicleta e um desafio no transito de um monte de gente que como eu tem um certo desconforto com segundas-feiras.
Toda essa introdução para falar de um encontro.
Quando eu caminhava para casa saindo do mercado escuto passos rápidos atras de mim e sabia que eram de um homen, não me perguntem como, mas sei quando e um homen ou uma mulher caminhando, so de ouvir o som que sai dos pés desconhecidos.
Os passos eram secos e rápidos, de alguém com pressa, escutava os sapatos cantando na calçada como uma musica desagradável, a medida que o homen de estatura grande me alcançava fui me virando e me encantando com o que via.
Existe um tipo de pessoas que parecem saídas do capitulo de um livro, pessoas que encantam por sua estranheza.
O homen alto usava uma daquelas boinas francesas, preta, a boina tapava so o topo de sua cabeça o tornando mais alto, uns óculos de quem senta o dia inteiro na frente de um computador, camisa azul clara com um colarinho fechado, calcas jeans azuis curtas para sua altura, casaco azul de feltro com as mangas curtas também.
O tempo que tive de ver os olhos desse homen foram segundos, mas alguma coisa me intrigou nele profundamente, e para os românticos de plantão não foi nada ligado a sentimentos homen /mulher, mas ser humano para ser humano.
Seus olhos eram vagos ainda dormidos como se estivessem em outro mundo, ele me olhou mas não me viu, suas pernas dobravam de jeito estranho quando andava , como se andar não fizesse parte de seus hábitos, as solas duras dos sapatos estavam bem gastas do lado direito.
Seus sapatos eram tristes de um amarelo desbotado um couro tosco, eles destoavam de toda vestimenta e carregavam aquele corpo como por pura obrigação.
O homen cruzou a rua rumo a estação de trem, passando pela praça do moinho que na verdade e um museu, de longe via ele com as mãos enroladas para dentro das mangas do casaco acusando frio, vi também que seus ombros estavam encolhidos chegando a estar mais perto de suas orelhas peladas.
Não sei o que me tocou nesse homen, talvez o som seco do andar dos sapatos sem vida e com pressa que o carregavam, suas orelhas peladas, suas mãos enroladas de frio, suas roupas pequenas, sua boina que destoava de tudo, seus olhos vagos e dormidos.
Talvez vi nele esse desconforto que a vida nos traz aqui e ali tentando nos mover de nossos lugares, e sem perceber acordamos numa segunda-feira sem graça e fria e andamos pela rua num desalento sem medidas com nossas orelhas peladas tentando ouvir nossos desejos sufocados pelo som monótono de nossos sapatos que nos levam a lugares indesejados.
A segunda-feira acabou.
Boa noite

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