E quando o vento chega.


Quando ventava la no sul do interior do Brasil, fazia redemoinhos e minha vo dizia que era o saci-pererê, sempre me dava medo de olhar dentro do redemoinho para ver se o saci estava ali, mais a curiosidade era tao grande, maior que o medo, e  ficava ali esperando pela ventania para ver o saci que nunca apareceu.
Um dia antes de uma tempestade subi num pe de abacate que ficava atras da casa onde vivíamos eram arvores majestosas e repletas de frutos. Meu irmão havia me dito que se subisse ali poderia ver a próxima cidade e ate as pessoas que andavam nas ruas.  Quando me vi ali em cima uns 10 metros  do chão, no topo de uma arvore que dançava para la e para ca ao sabor da tempestade, comecei a imaginar como desceria, mais o que mais me assustava era o fato que não dava pra ver a outra cidade e tão pouco as pessoas andando nas ruas, imaginei que era por que ventava.
No final meu pai me salvou da queda que sofreria e nunca mais acreditei nas estórias do meu irmão mais velho.
Vento sempre teve um sabor de liberdade, vento que abre caminhos, vento que move montanhas, vento assanhado que ergue as saias e que desmancha os cabelos. Para o vento são poucas as barreiras quem sabe nenhuma, ele tira os obstáculos do caminho e vai redecorar toda a paisagem inerte de antes.
Ontem quando busquei meu filho na escola ventava muito, era um vento pre-tempestade  as folhas amarelas dançavam sem resistência para todos os cantos, meu pequeno me olhou e com assombro me disse : “ Mãe voce sabia que as folhas correm?”
Me lembro da minha mãe me pedindo para abrir as portas e as janelas para deixar o vento entrar e refrescar a casa, as cortinas de pano voavam pelos poucos quartos  num baile muito louco e de um  colorido desbotado.
Aqui as pessoas fecham as janelas e o alarme nos meios de comunicação vão logo avisando hoje venta forte não sai de casa se não precisar.
Passam dias e dias e o vento cantando la fora, e as folhas caindo, dançando e correndo de um canto para outro.
Sempre que o vento aparece sei que a vida vai mudar se deslocar ,ir ha um outro ponto, minhas folhas velhas estão caindo, e minha paisagem esta sendo renovada por essa forca.
Hoje venta muito e as folhas continuam caindo, encontrei uma mulher que me falou de seu cansaço, e de como ela gostaria de estar livre do calvário da sua vida atual. Fiz compras quando estava com fome mais não comprei muito encontrei ali um homen alto muito alto, alto mesmo com óculos sérios e que falava português. Não pude ver através de seus óculos eles eram como uma mascara para confundir pessoas que observam.  Fui embora no vento so dizendo boa tarde e pensei nos óculos  estranhos daquele homen alto e muito alto.
O vento cansa, por que esta se transformando o tempo todo e entrando em todos os espaços, esse vento que invade, o vento não respeita privacidade.
Ha lugares no mundo que o vento faz chover debaixo para cima, e ali não se precisa de guarda chuva não ha nada que guardar o vento lambe em todas as partes, como um grande insano dominador.
Por que sera que não consegui ver através dos óculos do homen alto, mais muito alto mesmo? Sera que e por que ventava?  




         

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