NAO VOU FALAR SOBRE PARIS .
Quando eu cheguei na Holanda vim dentro de um barquinho atravessando as aguas de meia Europa com um passaporte sem visto, muito medo, sem dinheiro e nas mãos de um homen que mais tarde seria meu carrasco e meu salvador.
O carrasco/salvador passou, as aguas ficaram para tras, os primeiros anos de miséria cultural quase que desapareceram na memória, ou melhor os apago a cada dia com novas tentativas e pequenas vitorias.
Muitas pessoas, e situações ainda vivem e assombram os cantos escuros da minha historia, elas são como um tipo de dispositivo que te levam a acordar e dizer, segue em frente.
Vim parar aqui por acidente, nunca planejei vir para esse pais e tão pouco ficar tanto tempo, tão pouco me tornar mãe, estudar e me formar falando uma outra lingua.
Todos vocês sabem que isso não vem de graça e todo mundo sabe o quanto e difícil fazer qualquer coisa numa terra estrangeira onde somos obrigados a reconstruir nos mesmos com outros elementos que muitas vezes não são bem vindos e que muitas vezes não os queremos.
Nessa jornada de 13 anos senti muita raiva e ódio ate entender onde estava, ate entender essa cultura e ate entender a mim mesma como um produto da minha cultura. Quando digo entender não significa aceitar atitudes alheias que me ofendam e que me diminuam.
Entender e observar faz parte do quite de sobrevivência de qualquer imigrante, e isso so podemos usar quando desenvolvemos essa consciência .
Meus primeiros anos de Holanda os dediquei limpando a merda de muitos e estudando como uma fanatica para entender a lingua deles e em consequência entende-los.
Minha professora não levava fe em nenhum de nos, nos dizia cons-tan-te-men-te para não sonharmos muito alto, por que por aqui não alcançaríamos muito.
No final do ano letivo chegaram os exames e ela me disse que não passaria o nível era muito elevado para que pudesse ser aprovada.
O dia do resultado ela entra na sala com a cara fechada e diz, na sua forma direta sem rodeios ou respeito não estar surpresa mais apenas 3 pessoas haviam passado no exame, mais que ela tão pouco acreditava que essas pessoas tinham alcançado passar.Éramos na minha turma 25 so tres passaram, logo pensei “ a bruxa tinha razão , deveria ter esperado mais para fazer o exame”.
Bom, para minha surpresa eu era uma das tres pessoas, ela não me disse parabéns, nem me desculpe, nem que estava orgulhosa de mim, não me abraçou e nem me disse que tudo ia ficar bem.
Essa mulher foi o retrato da Holanda que eu carreguei por muitos anos ate entender melhor tudo isso.
Hoje sei mais sobre o pais onde vivo e sei também que muitas coisas aqui estão longe de ser o que eu quero para mim e meu filho ,mais também sei que meu futuro, minha vida agora e minha responsabilidade, eu posso ser alvo de preconceito, alvo de uma cultura colonialista, mais não posso estando aqui dentro, junto com todos me dar o desrespeito de agir como uma vitima.
Aprendi nesses 13 anos de jornada que respeitar-se, não e se impor, respeitar-se e também respeitar ao próximo mesmo que ele tenha atitudes as quais não me sejam favoráveis. Ainda hoje me pergunto muitas vezes o que faço aqui. Ainda hoje tenho rompantes de querer sair correndo para um lugar que so existe na minha cabeça. Um lugar onde tudo tenha a harmonia necessária para que possa viver em paz. Mas hoje eu sei que esse lugar e dentro de mim onde quer que eu esteja, onde quer que eu esteja desde que eu seja fiel a meus princípios e respeite os outros e a mim mesma.
Nos que deixamos nossos países, vamos carregar para sempre esse sentimento de tentar descobrir onde esta este lugar que queremos chamar de casa eu chamo isso da síndrome do Mago de OZ. Esse lugar perfeito acredito que exista, mais devemos construir ele passo a passo aqui dentro de cada um, com muitos erros, com raiva mais somando tudo no final vai ser = a casa.
Nessa jornada acredito que o único caminho para nos levar de volta e o coração, ok e um pouquinho de razão.
Boa semana a todos vocês.
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| Casa dos meus pais onde vivi ate os 18 anos... |


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