Encontro em dia de vento e chuva so pode ser especial.



Quando vem os ventos e as chuvas nessa terra gelada  e como se alguma forca superior estivesse testando a capacidade de existência desse povo branco e cansado de correr atras de dinheiro.
Nesses tempos, todos fecham a cara posicionam a cabeça como um cavalo contrariado pelas redeas e vão em frente sem ver ninguém por que a maquina tem que continuar, e quem para cae, como dizem aqui.
Mais não pense que todos por aqui são assim, as vezes encontramos alguns que fazem parte da resistência e então esses encontros se tornam uma experiência unica. 
Ontem foi um desses dias, sentada na minha bicicleta de dobrar com minhas bolsas, luzes acesas por que as 17.30 min ja esta escuro como um breu, luvas,botas casaco que parecia mais um monstro que me devorava. Ai fui eu direção estação central, duas pedaladas pra frente e  o vento te jogava pra la e pra ca como se meu corpo fosse um brinquedo que não podia resistir a sua forca.
Quase la, pensava seriamente em desistir, mais o vento te ensina a ter brios e continuei. Na estação todos estavam calados como que fazendo silencio para ouvir a sinfonia com dois instrumentos, vento e chuva. O trein parou como uma entidade que salvaria a todos daquele sofrimento. Todos correndo em direção as portas abertas como numa prova de atletismo e rapidamente como na dança das cadeiras procuram um lugar  para sentar-se e refazer-se do inferno gelado pelo o qual acabavam de passar.  
Ai no vagão das bicicletas  quase vazio, entrei e vi um bicicleta fora do lugar, estacionei a minha e me sentei, a minha frente um grande casaco verde e molhado que cobria um senhor que com uma mão meio tremula segurava a bicicleta que não estava no seu lugar, a cabeça  que olhava para fora se voltou para mim com aqueles dois olhos que quase pareciam não pertencer aquele corpo ja tão usado. Gotas de agua ainda andavam do topo daquele corpo  sem cabelos e passavam por seu nariz indo se alojar na gola verde e dura daquele casaco caro.Num gesto chimpanzé este senhor de idade avançada me diz que fazia muito frio. A maneira que gesticulava cheguei a pensar que ele não falava, mais na verdade ele estava pensando que eu não poderia entende-lo se falasse, como se deve. Lhe respondi com uma risada debochada  onde rimos juntos da gafe cultural. Quando aquela boca estranha começou a falar comigo, entendi que fazíamos parte de um mesmo grupo, seu assento mais nortenho deixava saber que ele vinha dai de mais acima das terras geladas. Jean estava visitando uma amiga que havia quebrado a perna e estava internada no hospital da minha cidade. Jean: “ voce não acha que o amor e lindo, ele faz um homen na minha idade com essa tempestade vir visitar uma bela dama com a perna quebrada?”. Sorri meio que para esconder o que pensava, e a conversa continuou com a autobiografia falada desse velho senhor estranho.
Tres mulheres passaram por sua vida onde uma delas lhe deu um filho Maximiliano de 37 anos, todos partiram ja para o outro lado e deixaram a Jean sozinho na tempestade conversando com estranhos no trein.  Jean da mostras de muita cultura e logo exibe seu status de engenheiro da Shell que viajou pelo mundo, vivendo em lugares exóticos.
Me contou de seus tapetes caros comprados no Paquistão e Iran  que os bichos comerão, do casaco de pele da segunda mulher que morreu e que ficou tanto tempo no armário que os bichos também comerão. E ali restava Jean sozinho na tempestade no trein falando com estranhos, sem tapetes caros, sem mulher com casaco de pele, sem emprego na Shell.
Quando o trein quase chegava ao seu destino, a autobiografia de Jean ia por detalhes detalhes os quais ele contava com muito humor , seu poder de narração era como hipnose e naqueles 20 min  viajei com Jean por sua vida e suas lembranças, imaginei suas mulheres e suas viagens, sua casa decorada com suvenir  do mundo todo por onde a Shell o levou. Antes de deixarmos o trein ele me pergunta : “E voce”? Com um meio sorriso ja dizendo adeus lhe disse: “ isso e para próxima viagem”.    
     



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