Monologo numero 50,
Onde esta você? Ontem acordei e não lhe vi, essa tristeza dentro de mim fez com que você desaparecesse numa nuvem cinza e desconhecida.
Onde esta você?
Todas as ilusões e inocência que decoravam seus pensamentos se transformaram em monumentos de pedra, impossíveis de se escalar, minhas mãos sangraram ao tocá-las, meu corpo se viu incapaz diante de tanto desafio, meu espirito se retraiu dentro dessa casca humana.
Onde esta você?
A invisibilidade desses dias me condenaram a solidão, dialogo sem sentido, palavra vazia. Aprendi tanto no meio dessa nova insignificância que não quero voltar ao que era, mesmo sendo condenada a não estar com você, sentirei sua falta, mas terei que me acostumar com essa nova pessoa.
Onde esta você?
Às vezes no desespero de meu novo ser, nessa angustia do desconhecido, esperava que pudéssemos seguir juntas, eu nesse agora e você, meu eu, nesse passado. Não é possível, dizem que quando damos um passo a frente deixamos algo ou alguém para trás, eu deixei você.
Onde, onde, onde esta você? Não sei muito desse novo eu, e começo a me esquecer de você como uma lembrança vaga que vai e vem. Às vezes tenho medo de esquecer você e me esquecer também, então choro e me encolho dentro desse invólucro invisível que me acolhe quando ninguém mais está la. E então, diminuída quase a uma gota dessa existência, sinto meu corpo pulsar, meus músculos, meus seios contra os joelhos, a respiração difícil, o calor do meu próprio hálito, minhas mãos, molhadas de suor. Tudo doe nessa posição de tentar não ser nada, de tentar não estar, de tentar não existir, tudo doe.
Você?
Onde?
Esta?
Quando acordei e não lhe vi, entendi o que era o medo, você levou tudo o que eu conhecia, meus pensamentos, meus sonhos, meus desejos, minha beleza, me deixando com o mínimo para recomeçar. Por dias não olhei no espelho, pois não podia ver aquele ser o qual me tornei. Mas a curiosidade misturada com dor me fez erguer o corpo, tirar o pijama, lavar o rosto, pentear os cabelos, e como alguém que com muita reserva começa aos poucos a olhar nos olhos e impelida por uma necessidade mutilante de viver, observa o espelho tentando entender esse encontro.
Onde esta você?
Não sei.
Mas talvez no meio dessa tristeza, desespero, do recomeçar, talvez, talvez encontre qualquer alegria que me mova na direção certa, onde você não vai estar, eu sei. Minha esperança e que esse novo caminho me reconstrua no meio de tanta queda e que algum dia numa manha dessas sem vontade eu me reconheça novamente nesse novo ser onde meu espirito veio viver.Não procurarei mais por você por que você sempre estará em mim.

Comentários
Postar um comentário